Em meados de 1996, já tinha eu concebido a ideia te tornar público o Nacional-Anarquismo, mas só em 1999 é que construí a minha primeira página na Internet. Naquela altura esta ideologia era completamente desconhecida.
Posteriormente resultou que três homens, totalmente independentes entre si, se tenham começado a etiquetar como “Nacional-Anarquistas”: Hans Cany na França, Troy Southgate na Inglaterra e eu, Peter Töpfer, na Alemanha. O Nacional-Anarquismo surgia em diversos pontos do Mundo Ocidental como expressão de anti-modernismo e de vontade de autodeterminação radical a nível individual e colectivo.
Na verdade devíamos ser considerados como neo-Nacional-Anarquistas (em contraste com os “neo-nazis”), já que nos anos 20 já tinham existido Nacional-Anarquistas na Alemanha (por exemplo Helmut Franke). Isto, contudo, só o soube mais tarde com base no livro “Linke Leute von Rechts” (esquerdistas de direita) – de Otto Ernst Schüddekopp. Tampouco Cany e Southgate tinham conhecimento deste autor.
O conceito “Nacional-Anarquismo” no seu actual contexto foi utilizado pela primeira vez por um órgão de comunicação social na primeira metade dos anos 90, quando numa revista francesa se falou de Hans Cany, embora o seu nome não pareça ser francês, na qual este se auto definia como Nacional-Anarquista; o Hans é o verdadeiro pioneiro do Nacional-Anarquismo contemporâneo: já se define como tal desde os anos 1991-92.
Antes, quando todavia eu ainda não era um Nacional-Anarquista (era ainda um esquerdista nacionalista ao modo dos argentinos) achei o tema extremamente interessante – do mesmo modo que poucos anos antes quando descobri os nacional-marxistas de Reinhold Oberlercher – e tentei contactar Hans Cany, sem sucesso. Posteriormente deixei de lado Hans Cany e o seu Nacional-Anarquismo, esquecendo-o, até que em 1996 comecei a autodefinir-me como Nacional-Anarquista por conta própria. Este passo atrás decorreu com base numa lógica, autobiográfica, interna: naquela altura, condicionado por uma crise vital, comecei (novamente) a tomar uma posição de emancipação radical. O significado e a compreensão do conceito “nacional” alterou-se, como nunca, nesta direcção muito mais individualizada.
Foi grande a minha alegria quando um dia, no início do novo milénio, Hans Cany, que por azar tropeçou no meu espaço internético, contactou-me. Desde modo pude dizer-lhe quão orgulhoso e contente estava por o poder conhecer, já que há muitos anos que o tentava encontrar, contactá-lo, e que desde então tinha ficado esperançoso de que, de algum modo, me chegasse a encontrar na Internet…
Após este feliz encontro, Hans começou por sua vez a construir também uma página NA francesa, “anarquie et autodetermination, le National-Anarchisme et la question identitaire” (Anarquia e autodeterminação, o Nacional-Anarquismo e a questão identitária) que está hoje, tal como a minha, integrada na Internacional Nacional-Anarquista (os Nacional-Anarquistas não reconhecem o Estado como sendo a sua Nação, a sua nação é a sua identidade, daí a utilização cuidadosa dos termos – ou seja, no Nacional-Anarquismo dir-se-á sempre “página francesa” e nunca “página da França”; uma vez que se é francês, mas não se é da França. Podem considerar isto como um principio de identidade).
Troy Southgate e outros camaradas – até então Nacional Revolucionários (ainda na Third Position – Terceira Via) – que caíram sob a influência de Richard Hunt (eco-anarquista editor da “Alternative Green”) – começaram também a denominar-se desde os anos 90 como Nacional-Anarquistas (NA). Mas só alguns anos mais tarde, 1997/98, é que alteraram o nome do seu grupo de English National Movement (Movimento Nacional Inglês) para National Revolutionary Faction (Facção Nacional Revolucionária) e começaram, cada vez mais, a considerar-se Nacional-Anarquistas. Na altura não se realizou logo uma alteração do nome da organização para o Nacional-Anarquismo uma vez que receavam que os seus seguidores se espantassem e se afastassem da causa devido a uma mudança tão radical. É esta a diferença do Nacional-Anarquismo alemão, que é decisivamente contra todo o tipo de dissimulação e/ou camuflagem política. Não por uma questão de honra, mas porque é um movimento apolítico.
Em 2001 entraram pela primeira vez na Internet os Nacional-Anarquistas ingleses. O seu actual espaço virtual – da responsabilidade de Troy Southgate – dá pelo nome de “Terra Firma – Nacional-Anarquismo em linha” e contém, entre outras coisas, o texto “Nações e Anarquia: para acabar com o mito do Estado-Nação” de M. Raphael Johnson, leitura muito recomendável.
Quem esteja interessado na história do NA inglês em primeira mão, pode visitar a secção “História” da página da Terra Firma. Podem também encontrar, desde 17 de Janeiro de 2002, na edição inglesa do Pravda o artigo “Ultrapassando o outro lado: da Terceira Via ao Nacional-Anarquismo” de Troy Southgate bem como uma entrevista efectuada por Dan Ghetu a Troy Southgate. O criador da página dinamarquesa do N-A dinamarquês tenta também dar uma imagem tendenciosa do Nacional-Anarquismo baseada na versão anglo-saxónica, pelo que também se aconselha aos que desejem conhecer essa versão e conheçam o idioma dinamarquês que a visitem.
Posteriormente Troy contactou um grande número de diversos Nacional-Anarquistas, entre eles a minha pessoa, bem como simpatizantes e curiosos e os reuniu num grupo de discussão NA internacional em língua inglesa (com alguns participantes que também dominam a língua alemã). O espaço virtual da Terra Firma publica também uma revista de combate: Terra Firma News. Estes dois grupos são dependências do NA inglês.
Enquanto esteve ausente o Nacional-Anarquismo alemão devido à repressão que sofremos neste país, este foi crescendo a nível internacional muito depressa: além da já referida página dinamarquesa, existe também um espaço Internet que dá pelo nome de “Folk and Faith” (Povo e Fé) cujos integrantes estadunidenses se sentem totalmente integrados na internacional NA. Existe também um grupo NA grego (Irmandade Nacional-Anarquista Grega, sem presença na Internet) e um ponto de apoio NA belga, também sem presença na rede, um NR holandês cada vez mais próximo do NA e, por fim, um grupo finlandês NA.
Das revistas Nacional-Anarquistas gregas Giafka e Black Crinum, existiam dois textos traduzidos em inglês na www.national-anarchist.org (entretanto não acessível – ndt): “Fight Club: Um filme contra o capitalismo e a ética burguesa” e “Quem somos”, ambos de Achilles Kritikos.
Entretanto (Março de 2004) também se uniu à internacional NA um movimento ucraniano. Os camaradas ucranianos provêem de grupelhos Nacional Socialistas e do anarco-sindicalismo local, sem qualquer distinção. Os seus “heróis” são o lendário anarquista Nestor Magno e o nacionalista mais ou menos lendário Sepan Bandera. Como principais inspirações indicam personalidades de esquerda como Che Guevara, Markoc e Marigella, os lutadores antiglobalização Chomsky, Gaelano e Volerstein. Bem como os nacionalistas anticolonialistas Khadaffi, Fanon e Said. Os ucranianos também, valorizam gente de direita como os pertencentes à “revolução conservadora ucraniana”, Bandera, Lipa e Dontsov, os da Nova Direita francesa de Benoist e Faye, os tradicionalistas católicos como Lefèbre e outros tradicionalistas como Evola. Por outro lado, sentem ódio para com os Nacional Bolcheviques de Limonov, que consideram como os seus principais inimigos. Isto deve-se à sua firme inimizade para com qualquer tipo de imperialismo, seja este de esquerda ou de direita. A questão fundamental do NA ucraniano é a “morte ao imperialismo russo” e demonstram ser completamente contrários a qualquer intervencionismo ou expansionismo oriundo desse Estado. A sua página na Internet dá pelo nome de “Bricolage” www.lab.org.ua
Com propósitos já completamente formados, uniram-se também os franco-canadianos (Abril de 2004), os quais como os gregos são “Fightclubistas” (seguidores do filme Fight Club). Seguem a máxima nietzscheana de “devem-te o que és!” e também a de Popeye “Eu sou aquilo que sou!”, cantam connosco “Mind Guerrilla” de John Lennon, amam a Brigitte Bardot e o Nestor Magno, o Subcomandante Marcos… “Tudo isto não foi comprado, tudo isto nos pertence, e nenhum banco poderá comprar-nos… o nosso propósito é o de “colhe-o tu mesmo” até ao último momento” – Robert Dun, o euroquebequês, o outro último moicano… “para colocar do nosso lado as multifacetadas emanações “ – e também se munem de George Orwell, Guillaume Faye, Corneliu Codreanu, “O Grande Suicida” de Robert Dun, Céline, Ernst von Salomon e Sylvester Stallone: “Eu sei, nem todos estão de acordo, mas admiro a luta que as pessoas de aqui levam a cabo pela sua independência. Actualmente, quando em todas as partes do mundo estão a desaparecer culturas, aprecio as pessoas eu lutam pela sua pureza… vocês é que são inteligentes e deveriam ser um exemplo”.
O Nacional-Anarquismo pós Nacional Revolucionário de língua inglesa contém, actualmente, a maior actividade a nível internacional – algo que não podemos negar. O Nacional-Anarquismo alemão, por sua vez, e por causa das suas particularidades – uma menor influência NR e uma influência hegeliana muito maior – vive numa situação um pouco afastada.
Apesar de tudo o NA alemão faz parte integral do movimento internacional e, como tal, utiliza também o símbolo pertinente.
A união entre os camaradas franceses, ingleses e alemães tornou-se mais fácil desde que nas páginas NA – certamente também com base nas discussões no fórum NA em inglês – se pode constatar um desprendimento das crenças nas leis fundamentais da natureza e uma inclinação para o (trans)niilismo.
Ao que diz respeito à secção alemã do NA, se tivéssemos caído na tentação da política e do poder, teria sido um acto sincero ter entrado no desordenado conglomerado dos Nacional Revolucionários para ganhar simpatizantes e, desse modo, desenvolver-se como uma força política relevante. Teriam bastado e sobrado um pouco de vocabulário político, um pouco de ambição e um cheirinho de demagogia. Mas o NA não tem nenhuma dúvida acerca do seu carácter completamente antipolítico. Mais que isso, as posições antialemãs (mas não antinacionais) não teriam conseguido dar-lhe a maioria dos actuais NR. O NA foi, é e permanecerá radicalmente antipolítico e anticentralista em todos os sentidos da palavra.
Por puro azar, deparei-me com um artigo de Jürgen Schwab cujo título é “Was ist nationalrevolutionär? Die notwendige Klärung eines oftmals fehlinterpretierten Begriffs” (O que significa ser Nacional Revolucionário?) no qual ele me nomeia a mim e ao Nacional-Anarquismo, a menção é a seguinte: “Hoje em dia existem anarquistas – como o berlinense Peter Töpfer – que com base nas premissas do séc. XIX afirmam que o Estado nacional é uma questão que só diz respeito à burguesia”.
Os Nacional Revolucionários e os anarquistas espantam-se de igual modo perante o conteúdo do NA alemão: nenhum deles poderia suportar identificar-se com ele e por isso negam-no fechando-se sobre si mesmos. As energias para a fundação de novas células NA permanecem nas mãos dos Nacional Revolucionários e dos anarquistas. Uma secção NA de Hamburgo, que nasceu juntamente com a secção berlinense e que opera com base numa posição muito prometedoramente existencialista, não conseguiu romper o bloqueio desde o seu início por essa razão.
Não estanhemos que nasçam futuros grupos NA na Alemanha, não a partir das bases do NA alemão, mas a partir das da sua versão inglesa de Terra Firma por causa da constante actividade castradora dos Nacional Revolucionários e anarquistas contra nós. Muitos Nacional Anarquistas alemães em potencial, fazem frente ao NA, por causa destes preconceitos criados pelos propagandistas de uns e de outros, com uma postura céptica, o que por vezes os leva inclusivamente a considerarem que somos pouco mais que uma excentricidade. Não obstante, é inevitável que tarde ou cedo se imponha a direcção correcta em direcção ao desenvolvimento das posições micro estruturalistas e transniilistas do Nacional-Anarquismo.
E agora digo-te: caro interessado, não de deixes espantar pelas particularidades do NA, se leste tudo isto é porque já estás interessado nele! Sê tu próprio um Nacional-Anarquista, constrói onde te seja possível a tua própria célula na tua zona ou sê tu mesmo um lobo solitário. Constrói a tua própria página NA na Internet e utiliza a tua linguagem própria, seja ela qual for, quando a fizeres. O Nacional-Anarquismo significa uma descentralização radical, significa em definitivo que o radical tome a forma da liberdade e da responsabilidade no espaço que a cada um corresponde.
Peter Töpfer
