No passado Sábado, 15 de Setembro, alguns Nacional-Anarquistas juntamente com a associação Terra, Identidade, Resistência deslocaram-se à freguesia de Colares com o intuito de assistir ao concerto dos alemães Seelenthron, trio de música alternativa composto por Alexander Meier (compositor, guitarrista, percussionista e teclista), Norbert Strahl (letrista e vocalista) e Max Pech (guitarrista). Destes 10 tertuliantes 2

O pequeno passeio cultural partiu de Lisboa e Almada rumo a Sintra, local onde se encontraram todos os militantes e simpatizantes antes de rumarem a Colares. O local do concerto, que admitimos que nos custou um tanto ou quanto a encontrar, foi o Sport União Colarense. Chegando ao local agradou-nos logo a escolha dum local tão bem situado, localizado nas proximidades duma praça de igreja com coreto ao centro e um chafariz ainda funcional, locais de encontro do povo por excelência.

Chegamos pouco depois das 21h, hora de início do concerto. Sorte nossa que houve algum atraso e ainda houve tempo para uns darem uma volta pelo exterior e outros de saborearem algumas taças de vinho de fabrico local antes do concerto.

A sala em que decorreu o espectáculo surpreendeu-nos pela decoração, a lembrar um pouco as casas de fado. Uma longa cortina negra separava a sala da entrada, dando-lhe um aspecto ainda mais intimista encontravam-se velas acesas em todas as mesas, cobertas com pano (única iluminação não vinda do palco). No lado esquerdo do palco foram projectadas diversas imagens de árvores e florestas nas quais se realçavam o brilho do sol, um toque que muito nos agradou.

No palco encontrava-se, além dos três intérpretes, um piano sem cauda que por si só dava um toque especial a todo o panorama (piano, velas, projecção e escuridão), pareceu-nos que nada foi deixado ao acaso.

A música era deliciosa, a voz de Norbert Strahl surpreendeu-nos muito pela positiva, já que mantém ao vivo – ou até demonstra ser superior – a força que conhecíamos das músicas que já conhecíamos. O concerto decorreu quase todo em alemão, com pequenas introduções referentes em inglês pelo vocalista acerca do conteúdo lírico de cada composição. Pouco poderemos dizer acerca da actuação, foi das melhores que testemunhamos, numa sonoridade profissional digna duma qualquer actuação mais mainstream. A sonoridade é uma mistura de folk com alguns elementos electrónicos (ou pop), resultando numa harmonia na qual sobressai o elemento tradicional.

Após a actuação foi servido vinho a todos os presentes que o desejaram e dois elementos da TIR conversaram com Norbert Strahl, congratulando-o pela exibição e apresentando-se, já que devido à estética utilizada causamos uma certa surpresa aos presentes (um militante exibia uma t-shirt do Che Guevara, outros dois estrelas anarco-sindicalistas), o mesmo inquiriu se éramos anarquistas, ao que respondemos com uma pequena introdução ideológica tanto do Nacional-Anarquismo bem como da Esquerda Nacional.

Norbert Strahl ficou surpreso, já que normalmente na Alemanha há uma tendência a confundirem o agrupamento como sendo “fascista” e pelo nosso aspecto julgavam que vínhamos protestar, já que o mesmo considerou que seria impossível assistir na Alemanha à presença de elementos de esquerda num evento associado à extrema-direita. Norbert realçou que nada tinham a ver com esse meio político e ficou curioso acerca do Nacional-Anarquismo e da Esquerda Nacional, uma vez que nos admitiu que ele próprio foi criado num ambiente de esquerda tradicional, já que os seus familiares são de esquerda.

O mesmo assentiu em conceder uma entrevista a um dos presentes, foram trocados contactos e assim nos despedimos, passando ainda pelo bar para provarmos ginja caseira feita pela simpática senhora que nos atendeu durante toda a noite e partimos, noite fora, rumo às nossas respectiva casas, exceptuando os Nacional-Anarquistas que ainda aproveitaram a ocasião para confraternizar um pouco e delinear projectos futuros.

Flávio Gonçalves